Cães terapeutas

A idade mais adequada para início das atividades como cão terapeuta é de cerca de um ano. Porém, há casos em que animais mais jovens apresentam as características necessárias para atuar como terapeuta. Assim, o que definirá se um animal está ou não apto ao trabalho são seu caráter, temperamento e comportamento em situações específicas. Não há idade máxima permitida, sendo bem vindos todos os indivíduos com a saúde física e mental em dia e que forem aprovados nas avaliações acima mencionadas.

A diferença fundamental entre os cães terapeutas e demais cães de estimação é a confiabilidade em alto grau que se pode ter em seu caráter e temperamento. Isto nos permite prever seu comportamento em diversas ocasiões, inclusive sob estresse intenso. Tais cães são emocionalmente bem equilibrados, calmos e, em sua grande maioria, submissos, lidando com tranquilidade com as diferentes situações a que são submetidos durante a interação com crianças, idosos e enfermos. O temperamento e os comportamentos resultantes que o cão apresenta devem ser adequados às tarefas e situações em que os cães são utilizados.

Um cão de terapia não pode, em hipótese alguma, manifestar quaisquer formas de agressividade e tampouco deve ter qualquer histórico de sua ocorrência.

Cães de terapia devem ser extremamente sociais com pessoas (crianças, idosos, homens e mulheres, de todas as etnias, com limitações físicas ou não). Eles devem se sentir à vontade na companhia de estranhos, procurando o contato e a interação com eles, e demonstrando alta tolerância aos toques e ao manuseio por estas pessoas. Em algumas ocasiões, os toques podem ser vigorosos, como no caso das crianças. O cão terapeuta jamais deve reagir com qualquer tipo de agressividade contra estes toques.

Eles devem ser bem socializados com outros cães (independentemente do sexo ou idade) e demais espécies animais. Isto significa que estes terapeutas não devem se incomodar nem interagir de forma inapropriada com nenhum deles.

Conhecer os comandos de adestramento básico também é um pré-requisito, já que o cão precisa responder prontamente aos comandos: Senta, Deita, Junto, Aqui e Fica. Uma pronta resposta a estes comandos se faz necessária para o melhor desempenho durante os exercícios fisioterápicos realizados nas sessões com os pacientes, e também para aprimorar o controle que os voluntários têm sobre os comportamentos dos cães, facilitando o manejo. Logicamente, não se espera que o animal aja como um robô, afinal, é um ser vivo e portanto, imperfeições são até certo nível toleradas, desde que não comprometam o andamento do trabalho.

Estes cães não pulam nas pessoas, não latem em demasia, e também não são ansiosos e movem-se com tranquilidade, sem agitação. Assim, a postura calma e comportamento dócil e submisso, assim como um adestramento bem feito são pré-requisitos que o candidato a cão terapeuta deve ter. E a estes requisitos, associa-se a importância de haver monitores ou voluntários humanos que por meio de sua atitude calma, positiva e assertiva, facilitam o trabalho do cão, transmitindo-lhes confiança e diretrizes claras na execução dos trabalhos.

 

A Importância da Socialização e da Habituação adequadas na formação de um Cão Terapeuta 

Entende-se por “socialização” o processo através do qual os animais interagem entre si apresentando-se uns aos outros através da utilização de protocolos de comunicação típicos da espécie – postura corporal, emprego do olfato, troca de olhares, etc. Este processo pode incluir, além dos próprios cães, outros animais e humanos, conhecidos ou desconhecidos.

Através de uma socialização adequada e ampla, os animais se tornam aptos a circular pacificamente e sem causar distúrbios entre outros animais e pessoas, já que aprendem a respeitar os limites do próximo e a se comunicar de uma forma apropriada e pacifica.

Os animais socializados tendem a ser psicologicamente mais estáveis e calmos, sendo mais receptivos a aproximação de indivíduos desconhecidos, os quais cumprimenta calorosa e amistosamente, sem turbulência, traços de hostilidade ou medo.

No caso dos cães terapeutas, o processo de socialização deve ser rigorosamente considerado de extrema importância, visto que um dos pré-requisitos que estes animais devem apresentar é a capacidade de se relacionar pacifica e tranquilamente com indivíduos que não conhecem, sendo amistosos desde os primeiros contatos, seja com outros animais ou com seres humanos – crianças, adultos ou idosos, com ou sem limitações físicas / psíquicas.

Para alcançar o máximo “rendimento social”, os cães terapeutas devem ser expostos ao maior número possível de pessoas e ter contato com outros animais em diferentes ambientes, principalmente nos primeiros meses de vida* e estendendo-se ao longo dos anos para que se tornem habituados a contatos frequentes com seres e locais desconhecidos, reagindo com naturalidade nestas situações.

O medo é uma emoção comum que surge nos casos em que houve pouca ou nenhuma socialização e habituação, gerando uma grande insegurança no animal e tornando-o instável e perigoso. O medo pode desencadear reações desagradáveis e indesejadas nos animais, como fuga ou agressividade. O animal com medo pode assustar ou até mesmo morder pessoas – no caso, uma criança, idoso ou enfermo assistido. Os Animais Terapeutas devem ser seguros e confiáveis, impossibilitando a ocorrência de situações deste tipo. Assim, devem ser habituados à novidade para que não desenvolvam quadros de medo, agressividade e outros distúrbios emocionais.

Devemos sempre nos lembrar de que os cães terapeutas são os instrumentos fundamentais no processo de reabilitação dos assistidos, portanto devem estar sempre preparados para qualquer situação e reagir equilibradamente. Como em todo treinamento, a prática leva à perfeição.

 


 

Responsável pela Avaliação Comportamental dos cães: Helena Truksa (Bióloga, Especialista em Comportamento Animal).