Patas na Mídia

TAA: quando as aves se tornam terapeutas

A relação entre aves e humanos vem de longa data e podemos dizer que ela nos proporcionou preciosos ensinamentos – principalmente, no que diz respeito a não pular da janela batendo os braços achando que poderíamos voar também. São animais belos e companheiros, capazes de fazer relaxar o mais estressado dos humanos. E é por isso mesmo que as aves também participam da Terapia Assistida por Animais.

Não existe restrição de espécie quanto à participação das nossas pequenas companheiras de penas na TAA. “Qualquer ave pode trabalhar, observando que precisam ser muito dóceis, afetivas, gostarem de toques, não estranharem pessoas ou outros animais”, descreve Silvana Fedeli Prado, psicóloga psicanalista e psicoterapeuta de Terapias Assistidas por Animais da ONG/OSCIP Patas Therapeutas, em São Paulo.

De acordo com Silvana, antes de se tornarem terapeutas, “as aves passam pela rígida avaliação de comportamento e saúde. Na nossa ONG precisam ser certificadas, caso sejam silvestres, não podem ser filhotes e devem estar fora do período reprodutivo. Como trabalhamos com imunodeprimidos, o cuidado sempre é dobrado, então, a cada quatro meses são realizados exames de saúde, para que não transmitam doenças como Mycobacterium sp, Salmonella sp, Chlamydophila psittaci , Aspergillus, ectoparasitas e endoparasitas”, ressalta a psicóloga.

Os benefícios trazidos pelas aves na TAA são equivalentes aos de outros animais. “Esta interação é muito vantajosa para a saúde humana. A ave se torna parte integrante do tratamento, promovendo a saúde emocional, física, mental e cognitiva dos pacientes. Melhora as relações interpessoais, a socialização, a afetividade, vínculos afetivos, autoestima, provável aceitação da reabilitação, entre outros. Tem uma grande aceitação com idosos e crianças”, analisa Silvana.

Segundo a psicanalista, a terapia com aves é indicada para todos os gêneros e faixas etárias. “Qualquer paciente pode ser beneficiado, desde que não haja alguma contraindicação, por exemplo, fobia, problemas respiratórios, entre outros”, ressalta a especialista.

Silvana conta sobre um trabalho em que a TAA com as aves se mostrou altamente eficaz e benéfica. “Participei de uma pesquisa com aves e idosos que estavam bem cognitivamente, mas com depressão. Era um grupo de seis idosos. No dia a dia eles não demonstravam vontade de conversar, socializar com outros idosos da casa, eram muito apáticos e introvertidos”, descreve.

“Nas sessões, com as aves, apresentaram comportamento inverso, ou seja, conversavam bastante entre eles e com as aves, comentavam sobre suas experiências com animais, começaram a se chamar pelo nome e lembravam das aves que já fizeram parte de suas vidas, riam, brincavam, faziam exercícios, sem se darem conta da depressão. Na devolutiva com a clínica, nos relataram que estavam mais animados, falantes e teve até um dos idosos que começou a passear na rua”, conta a psicóloga.

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